quinta-feira, 13 de março de 2014

Simpurb - 2013 - Conferência de Abertura

Ciência e Ação Política: Por uma Abordagem Crítica
                                                               Arlete Moysés Rodrigues

  Paulo Freire nos instiga a refletir sobre a ciência e a ação política, dentro de uma abordagem crítica, quando diz:
 Acreditamos que a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Se a nossa opção é progressiva, se estamos a  favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho se não viver a nossa opção. Encarná-la diminuindo, assim, a distância entre o que dizemos e o que fazemos.

        Parafraseando o autor penso que a análise crítica do urbano sozinha não  transforma a sociedade, mas sem ela tampouco é possível constituir a cidade como  direito, com predomínio do valor de uso. Teoria e prática, ou seja, a práxis nos leva a procurar caminhos para construir o direito à cidade com uma análise critica da produção e reprodução do espaço urbano.
No atual período histórico, o urbano é um dos lócus privilegiados para a aplicação dos excedentes de capitais que objetivam a acumulação ampliada do capital  e desse modo ampliam as contradições e conflitos presentes na vida cotidiana.
Trata-se do sucesso do modo de produção capitalista que produz ao mesmo tempo a precariedade de vida, de trabalho e de moradia. Ao estarmos a favor da vida da equidade, dos direitos - conquistados em lutas históricas e não por dádivas de outrem -; ao estarmos a favor da justiça (mesmo que dentro dos limites das normas capitalista), temos que tentar entender a complexidade das contradições e conflitos na produção e reprodução do espaço urbano para nele  poder estabelecer a ação política que não negue a diversidade, a complexidade, as contradições e conflitos.
É indispensável para entender a complexidade do urbano, avaliar se utilizamos instrumentais analíticos que permitem compreender e atuar na medida em que, cada vez mais as contradições, conflitos e confrontos são encobertos pela espessa cortina de fumaça da modernização, do progresso, do desenvolvimento, da sustentável entre outras tantas formas de justificar a intervenção avassaladora do capital no espaço urbano.


O objetivo do texto é fazer algumas ponderações para uma crítica da econômica política da cidade e da urbanização, tendo como fio condutor a propriedade da terra urbana como um dos elementos constitutivos da cidadania desigual que não estão explicitados em obras de alguns autores que tratam do tema.
  O texto  na íntegra encontra-se disponível para  download no  "menu Conferência".

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